quinta-feira, 27 de outubro de 2011

os meus pais;

eu sempre soube disso, mas agora pensando a respeito, decidi escrever, para que todos prestem atenção e sejam mais gratos pelo que tem.
eu não costumo reclamar, eu conto as coisas, mas reclamar são poucas vezes... eu não sou o tipo de menina carioca, ou melhor de Jacarepaguá, que pede tudo pro pai, que quer roupa de marca, colocar silicone, aumentar a bunda, carro caro, comida cara, coisas caras, quando eu peço, procuro logo o mais barato, odeio desperdiçar dinheiro.
faço tudo que eles me pedem, coisas até desnecessárias, mas faço. não os desrespeito, não os xingo, nunca tentei me rebelar contra eles. erro, sim, sou ser humana. minto, sim, sou ser humana. faço coisas escondida, sim, eu SOU SER HUMANA !
as vezes minto, escondo, ou finjo, para melhor agradar a eles, para não fazê-los sofrer, para não dar trabalho para eles.
sempre resolvi meus problemas sozinha, não sou de ficar pedindo ajuda com trabalhando de casa, pegar isso pra mim, fazer aquilo pra mim, no máximo, peço para que me levem aos lugares, porque dificilmente tenho dinheiro pro ônibus.
aliás, nunca recebi uma mesada, meu pai oferecia no máximo, uma cadeirada.
mas a razão que me fez escrever esse texto, foi o fato de pensar que sou uma completa desconhecida na minha própria casa.
o que os meus pais sabem de mim? quais são os filmes que eu gosto ? quais as musicas ? e a minha banda preferida? e a minha matéria preferida na escola ? e quais os livros que eu leio ? qual a cor que eu mais gosto ? qual o esmalte, ou a roupa, ou o objeto que eu mais gosto ? o que eu gosto de fazer quando estou de férias ? eu sou caseira ou baladeira ?
essas perguntas minha amiga Thayana, que me conheceu a pouco mais de 1 ano, saberia responder, os meus pais me criaram, se sabem responder uma dessas perguntas, é muita coisa.
sei que meu pai nem lembra o dia do meu aniversário, sei também que uma vez ele demorou quase dois meses pra perceber que eu cortei meu cabelo (obs: são foi um corte bobo não, to falando de quando meu cabelo era longo e eu cortei na altura do meu queixo).
quando eu era criança, o que eu mais gostava era de estar na sofá da sala, no nosso apartamento na tijuca, e ouvir a porta do elevador fechando, o barulho das chaves sendo retiradas do bolso e o assovio do meu pai. adorava quando ele entrava no quarto para ver se eu estava dormindo, ou quando me contava algo engraçado que ele ouviu e adorava quando ele gritava comigo, estava sendo o meu pai.
aliás, onde ele está ? acho que se perdeu no meio das farmácias ou fazendas, ficou por ai, em um copo de whisky, ou nas gargalhadas que ele dava. mal vejo sua sombra chegando as 11 da noite ou sentado no sofá, as vezes me leva pra escola, muitas vezes sem nem abrir a boca.
ele reclama porque eu sempre peço dinheiro, mas fazer o que ? quem paga meu salário é ele, e muitas vezes nem isso quem dar...
eu não queria outro pai, eu queria o meu, aquele que no meu aniversário de 4 anos, me deu uma enxada igual a dele, só que pro meu tamanho, para que eu pudesse ser igual a ele... hoje, como eu disse antes, ele quase não lembra a data em que nasci.
apesar de nunca ter esquecido o dia em que comprou a primeira farmácia só dele.
dia 30/03/99, parece muito o meu aniversário, só muda o lugar do três, 03/03, como ele não lembra?
eu amo meu pai, mas sinceramente, não sei o que eu faço, pode ter certeza, que não existe no mundo, ninguém que sinta mais orgulho dele, do que eu, entretanto, eu estou começado, pouco a pouco, a trocar esse orgulho, por nojo, por revolta, por sentimentos ruins. eu não quero que isso aconteça, quero amá-lo para sempre, mas o homem da minha vida, está despedaçando meu coração.
eu não to falando isso porque ele ultimamente não quer me dar dinheiro, isso é simples de resolver, eu estou falando, é do meu pai, da sua presença, do seu eu. onde é que está o meu pai ?

a minha mãe não fica atras, o problema dela é querer resolver tudo e não conseguir. querer ajudar todos e esquecer de si, ou de mim. sei que parece ridículo o que estou falando, mas é a mais pura verdade. ela também tão pouco sabe sobre mim, sabe mais que meu pai, com certeza, só que a questão não é ela, é ele. quando ele mudar, ela vai mudar. o problema é que esse quando, está demorando muito. não sou apenas eu que estou quase desistindo dele. ela também está. ela que perseverou por quase 20 anos, cansou dessa brincadeira e quer liberdade, não a culpo, ela está muito certa, meu pai a fez sofrer demais !
o problema todo é ele, que precisa, que tem que mudar, antes que a gente se mude e o problema se torne a gente.
eu nunca pedi uma casa grande, com piscina, uma empregada, uma fazenda e etc.. eu preferia ser rica de meu pai e pobre financeiramente. a família pra mim, deveria vir em primeiro lugar, mas no momento, prefiro ficar na rua, estudando, trabalhando, malhando até as 11 da noite, do que estar em casa.

leitores, nesse momento, vai e de um abraço no seu pai, agradeça a tudo que ele fez por você, todo o dinheiro, conforto, comida, casa, amor que ele te dá, mesmo que ele seja assim como o meu, ou pior, pai é pai. ele pode morrer, você pode morrer, e ele nunca, jamais, vai deixar de ser seu pai. mesmo que ele não mereça, esse abraço, pode mudar tudo, esse carinho, que talvez não seja dado, pode ser o necessário, para fazer toda a diferença. não precisa falar nada, um gesto conta mais do que as palavras que podem ser ditas da boca pra fora. e aproveite, cada segundo, casa instante ao lado dele. pai é insubstituível.

Um comentário:

  1. então não quero te aturar assim, foda-se, outro beijo e tchau!

    ahahahhahahahahah
    breeeenks
    (L)

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